6:40 am - quinta-feira abril 17, 2014

Formação e desintegração da Iugoslávia

A Iugoslávia surgiu com a união de três povos em 1918: eslovenos, croatas e sérvios. Passou a usar esse nome a partir de 1929. Durante a Segunda Guerra Mundial, esteve invadida pela Alemanha, mas os guerrilheiros resistentes os expulsaram em 1944, e, em 1945, o país se torna socialista.

A DESINTEGRAÇÃO DA IUGOSLÁVIA

A morte de Tito criou um vazio de poder na Iugoslávia. Os nacionalismos voltaram a se manifestar, evoluindo rapidamente para o separatismo. A crise econômica que devastou os países socialistas na década de 1980 contribuíram para agravar a situação. Os sérvios, sob a liderança de Slobodan Milosevic (que assumiu o poder em 1987, através de um golpe de Estado), tentaram a todo custo manter uma união que os beneficiava; e, em 1989, Milosevic revogou a autonomia que Tito concedera aos albaneses de Kosovo e aos húngaros da Voivódina. Estes últimos não reagiram, mas em Kosovo as manifestações de protesto foram reprimidas duramente pela polícia e exército sérvios.

Algumas repúblicas, como a Eslovênia e a Croácia, passaram a almejar sua independência. Motivo: apesar da população pequena, essas duas repúblicas respondiam por grande parte das exportações do país.

O DESMEMBRAMENTO DA ANTIGA IUGOSLÁVIA (1991/1992)

Em 1991, a Eslovênia, a Croácia e a Macedônia proclamaram sua independência; em 1992, a Bósnia-Herzegovina fez o mesmo. A ONU reconheceu os novos Estados e a Iugoslávia viu-se reduzida à união entre Sérvia (que inclui Kosovo e a Voivódina) e Montenegro. Essa nova Iugoslávia foi reestruturada em 1992, formando uma federação em que Montenegro possuia um governo quase independente, no qual a Sérvia não tinha o direito de intervir. Na prática, portanto, a nova Iugoslávia correspondia basicamente à Sérvia, já que Montenegro levava uma vida mais ou menos à parte e seus habitantes constituiam menos de 8% da população total da Iugoslávia.

A GUERRA DA BÓSNIA

Na Bósnia-Herzegovina, onde os sérvios formavam 31% da população, houve uma guerra terrível entre 1992 e 1995. Os sérvios locais, comandados por ex-oficiais do exército iugoslavo, organizaram-se em poderosas milícias, equipadas com armamento fornecido pela Iugoslávia, e deram início a uma ação de “limpeza étnica”, expulsando os moradores bósnios e também croatas (11% da população da Bósnia). As violências praticadas contra os bósnios foram particularmente atrozes, com dezenas de milhares de estrupos e outros tantos fuzilamentos de civis.

A Bósnia permaneceria um único país dentro das fronteiras atuais, mas dividido entre uma federação muçulmano-croata (com 51% do território) em uma república sérvia (com 49%).
Haveria um governo central, com presidente e Parlamento nacional. A moeda seria única.
Acusados de crimes de guerra ficariam de fora nas eleições de 1996.
Os refugiados, cerca de 2 milhões de pessoas, poderiam voltar para casa.
Força internacional com 60.000 soldados supervisionaria o acordo.
Sarajevo não seria dividida.
Uma faixa de 5 quilômetros de largura – o Corredor de Posavina – ligaria áreas sérvias.
Um corredor ligaria o enclave muçulmano de Gorazde com a Federação Muçulmano-Croata.
Em 2003, Iugoslávia deixou de existir

A Iugoslávia foi oficialmente enterrada em 2003. No lugar do que sobrou da federação, depois de uma década de guerras nos Balcãs, foi formada uma união frouxa entre a Sérvia e Montenegro. A Assembléia Federal iugoslava aprovou a Carta de fundação do novo país por maioria absoluta nas duas câmaras.

“Declaro a adoção da Carta da Sérvia e Montenegro”, disse o presidente da Assembléia, Dragoljub Micunovic, numa histórica sessão conjunta das duas Casas, que votaram a abolição do velho país separadamente. A Carta entrou em vigor imediatamente.

A formação do novo país culminou em um ano de negociações entre a Sérvia, que sempre dominou a federação, e Montenegro, que também ameaçava se separar. O que aconteceu em 2006, com a secessão do Montenegro após referendo, dando origem aos estados de Sérvia (capital: Belgrado) e Montenegro (capital: Podgorica).

O povo de Montenegro votou pela saída do país da federação em 21 de maio de 2006. A vitória foi apertada, com 55,5% dos votos, apenas 0,5 ponto percentual a mais do necessário para a decisão do referendo e reconhecimento da independência por parte da União Européia.

Montenegro foi por quarenta anos um Estado independente, mas perdeu este estatuto em 1918, ano no qual passou a integrar o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos.

Essa não foi a única tentativa de separação. Em 1992, um referendo pedia a opinião da população, mas com 96% dos votos foi decidido que a união continuasse.

Com a independência, Sérvia torna-se então o sucessor legal da antiga federação, enquanto o Montenegro terá de se candidatar a membro da União Européia, ONU e outras instituições internacionais.

Dia 3 de junho de 2006, o Montenegro declarou a independência; dois dias depois a Sérvia declarou-a também, pondo fim ao estado sérvio-montenegrino.

A independência do Montenegro foi rapidamente reconhecida pela União Europeia, Estados Unidos, Rússia e numerosos outros países.

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